O que se faz de casa nova!

Agora o “O que se faz” está de casa e visual novo!

Acesse: www.oquesefaz.com

 

Anúncios

As minhas igrejas preferidas de Roma

Roma é uma cidade emblemática na história do Cristianismo. É impossível caminhar por suas ruas sem se deparar com algumas das mais belas igrejas do mundo. Os afrescos, pinturas e esculturas destas igrejas foram criados por alguns dos mais importantes artistas da História com o intuito de representar passagens bíblicas e fortalecer a fé dos cristãos. E o melhor de tudo é que você pode apreciar estas obras de arte sem pagar um Euro por isso!

A Igreja de San Francesco de Ripa fica na região do Trastevere. Foi construída no lugar da hospedaria onde São Francisco de Assis ficou quando visitou Roma em 1219. A igreja original foi totalmente reformada no século XV.

San Francesco a Ripa

A igreja possui um teto ricamente ornamento, além de belíssimos vitrais. O teto do altar foi pintado a ouro e tem as imagens de Jesus Cristo, a Virgem Maria e os apóstolos.

San Francesco a Ripa

Mas a grande atração desta igreja é a escultura da Beata Ludovica Albertoni. Criada por Bernini em 1624, representa a beata em um estado de êxtase religioso que beira escandalosamente o sexual.

Escultura da Beata Ludovica Albertoni, de Bernini.

Uma das mais antigas igrejas romanas, a Santa Maria del Popolo está localizada na famosa Piazza del Popolo. Diz a lenda que a igreja foi construída no local onde foi enterrado o odiado Imperador Nero. Em 1099, para acabar com os rumores de que o local era assombrado, o Papa Pascoal II ordenou a edificação de uma capela dedicada a Virgem Maria. E em 1227 o Papa Gregório IX mandou substituir a capela pela atual igreja dedicada ao povo.

Santa Maria del Popolo

Esta igreja, embora seja uma das mais simples que conhecemos, possui alguns tesouros guardados. Entre eles estão dois célebres quadros de Caravaggio: a Crucificação de São Pedro e a Conversão de São Paulo.

Santa Maria del Popolo

Outra bela obra nesta igreja é a Capela Chigi, que foi iniciado por Rafael Sanzio e terminada por Bernini após 130 anos do início da construção.

Capela Chigi

A igreja de Santo Ignacio di Loyola foi uma grata surpresa nesta viagem. Ela não estava no nosso roteiro original, mas bastou uma olhada em sua fachada para mudarmos de idéia. E valeu a pena!

Santo Ignazio di Loyola

Construída no século XV, esta igreja possui um impressionante conjunto de pinturas, afrescos e esculturas.

Igreja de Santo Ignazio di Loyola

Mas o que mais chama a atenção nesta igreja é o seu teto. Como não havia a possibilidade da construção de um domo, coube ao artista Andrea Pozzo criar um ilusão de ótica. Ao olhar de um determinado ponto da nave, se tem a sensação de que o teto da igreja se abre para um céu cheio de nuvens, anjos e santos. Pelo nível de detalhamento e o efeito obtido, para mim, esta pintura se equipara ao teto da Capela Sistina.

Igreja de Santo Ignazio di Loyola

Construída sobre um templo dedicado à deusa Minerva, a igreja de Santa Maria Sopra Minerva tem uma fachada extremamente simples, mas com um belo interior.

Santa Maria Sopra Minerva

Única igreja de estilo gótico de Roma, abriga os sepulcros dos Papas Leão X e Clemente VII, além de Catarina de Siena, santa muito popular na Itália. Sua bela abóbada está pintada predominantemente na cor azul, com detalhes em vermelho e amarelo, e repleta de imagens de santos e mártires.

Santa Maria Sopra Minerva

O maior tesouro desta igreja é uma obra de Michelangelo: A Ressureição de Cristo. Trata-se de uma representação incomum de Cristo inteiramente nu, sem feridas e musculoso. A imagem escandalosamente nua de Cristo gerou tantos protestos que as autoridades da igreja tiveram que acrescentar uma tira drapeada de bronze para cobrir partes da escultura.

Santa Maria Sopra Minerva

A igreja de Santa Maria Maggiore, uma das maiores basílicas de Roma, foi fundada no século V. Ao longo dos anos recebeu diversos nomes até ser designada pelo atual, Santa Maria Maior em português, pois trata-se da maior igreja dedicada à Virgem Maria na Cidade Eterna.

Ao chegar nesta igreja, fiquei intrigado com o seu visual incomum, embora imponente.

Santa Maria Maggiore

Alguns metros adiante, descobri que havíamos chegado pela praça que dá acesso aos fundos do edifício. A fachada frontal é tão bela e tradicional quanto outras igrejas de Roma.

Santa Maria Maggiore

O interior da igreja preserva o padrão romano de construções do século V, com um nave larga e alta, várias colunas de mármore, e um teto semicircular na extremidade sobre o altar.

Santa Maria Maggiore

O mosaico do altar, todo pintado a ouro, representa a coroação da Virgem Maria. Nas laterais da igreja estão dispostas  diversas capelas. Um relíquia exibida aqui são alguns pedaços da cruz de Cristo, abrigados em um relicário do século XIV.

Santa Maria Maggiore

A igreja de San Pietro In Vincoli, fundada no século IV, não está entre as mais famosas e procuradas de Roma. A sua fachada simples sequer parece pertencer a um templo religioso. Mas eu tinha um interesse especial nesta igreja.

San Pietro In Vincoli

Embora boa parte da construção original esteja mantida, o prédio passou por diversas reformas ao longo dos séculos. A igreja abriga uma relíquia católica: as correntes que supostamente prendiam São Pedro na prisão.

San Pietro in Vincoli

Mas o motivo do meu interesse nesta igreja é uma belíssima obra de Michelangelo, destinada a ornamentar o túmulo do Papa Júlio II: a estátua de Moisés, que ocupa a parte central do túmulo. Diz a lenda que, após terminá-la, Michelangelo passou por um momento de alucinação diante da grande beleza desta obra. Então ele bateu com um martelo na estátua e começou a gritar: Porque não falas? (se Hugo Chávez estivesse presente neste momento, creio que a frase de Michelangelo seria outra)

San Pietro in Vincoli - Moisés, de Michelangelo

De fato, a perfeição da estátua é impressionante! Tive a sensação que, a qualquer momento, Moisés se levantaria da sua cadeira e sairia caminhando pela igreja para dar uma volta. E estranhamente, Michelangelo fez o seu Moisés com um par de chifres!

San Pietro in Vincoli - Moisés, de Michelangelo

Roma possui mais de 100 igrejas. Infelizmente só conheci algumas, mas estas são as minhas preferidas.

As minhas praças preferidas de Roma

A melhor maneira de explorar Roma é andar a pé pela cidade. Desta forma você pode se deparar com tesouros históricos quando menos esperar, como por exemplo, ao virar em uma esquina e chegar a uma das belas praças da Cidade Eterna.

Uma das primeiras praças que conhecemos por lá foi a Piazza del Campidoglio, localizada no Monte Capitólio, uma das famosas sete colinas de Roma. Projetada por Michelangelo a pedido do Papa Paulo III, esta praça tem o formato de um trapézio e está cercada por três palácios: o Palácio do Senado, o Palácio dos Conservadores e o Palácio Novo, que atualmente abrigam o Museu Capitolino.

Piazza del Campidoglio

No centro da praça está uma estátua do Imperador Marco Aurélio montado em um cavalo.

Piazza del Campidoglio

O principal acesso a praça é feito por uma grande escadaria, a Cordonata, que possui duas grandes estátuas de Castor e Pólux.

A Cordonata

Uma das mais antigas e famosas praças de Roma é a Piazza Navona. Cercada por vários restaurantes e cafés, esta praça de formato retangular está sempre lotada de turistas. Na praça, além do Palazzo Pamphilli, sede da Embaixada do Brasil, e da Igreja de Santa Agnese estão situadas três fontes: a Fonte dos Quatro Rios, de Bernini, ao centro, a Fontana del Moro e a Fonte de Neptuno nas extremidades.

Piazza Navona

A Fonte dos Quatro Rios é uma belíssima obra criada por Bernini em 1651. Ela simboliza quatro grandes rios que representam seus respectivos continentes: o Ganges (Ásia), o Danúbio (Europa), o da Prata (as Américas) e o Nilo (África). O obelisco central é uma cópia da Era Romana.

Fonte dos Quatro Rios

Outra famosa praça de Roma é a Piazza di Spagna, batizada assim devido a proximidade com a Embaixada Espanhola junto ao Vaticano. A elegante escadaria é a marca registrada desta praça, que está sempre lotada de turistas e fica ainda mais bela no mês de Maio, quando fica coberta por azaléias.

Piazza di Spagna

O nome da escadaria em italiano é Scalinata della Trinita dei Monti, em referência a Igreja Trinita dei Monti, que está situada no topo da praça.

Piazza di Spagna

A célebre Piazza del Popolo está cercada por três igrejas: as “gêmeas” Santa Maria in Montesanto e Santa Maria dei Miracoli e a famosa Santa Maria del Popolo. No seu centro está um obelisco egípcio do ano 1200 a.C. com 24 metros de altura, cuja base está em uma fonte composta por quatro piscinas de onde estátuas de leões jorram água.

Piazza del Popolo

Na lado sul da praça está a antiga Porta Flaminia, rebatizada de Porta dela Popolo no século XVI em homenagem à vizinha igreja de Santa Maria del Popolo.

Porta dela Popolo. À esquerda está o Igreja de Santa Maria del Popolo.

A Piazza Venezia recebe este nome devido ao Palazzo Venezia, que já foi utilizado por um breve período como residência do Papa. Na praça está localizado também o Monumento Vittorio Emanuele II, conhecido também como Il Vittoriano, inaugurado em 1911 em homenagem a Vittorio Emanuele II, o primeiro Rei da Itália Unificada. Atualmente abriga o Museu do Ressurgimento, que conta um pouco da história de como a Itália voltou a ser um único país. Do alto do momumento é possível ter uma bela vista do Coliseu e Foro Romano.

Roma: um dia na Cidade do Vaticano

Ir à Roma e não conhecer o Vaticano é um pecado. Não no sentido religioso da palavra, mas uma falta grave no âmbito turístico. Conhecer a menor nação do mundo, o Estado da Cidade do Vaticano, com aproximadamente meio quilômetro quadrado, é mais que uma experiência religiosa: é uma oportunidade de ver grandes tesouros culturais da Humanidade.

Iniciamos nosso tour no Vaticano logo cedo pelos Museus do Vaticano. A maioria dos visitantes chega sem ingresso e encara uma longa fila, que durante a alta temporada, pode significar horas de espera debaixo de um sol escaldante. Para evitar esta enorme fila, compramos os ingressos antecipadamente na bilheteria online do Vaticano. Basta escolher a data e horário da visita, pagar com o cartão de crédito, e imprimir o ticket eletrônico.

Como escolhemos o primeiro horário de visitação, às 8 horas, chegamos às 7h40 no portão de acesso do museu. Já havia uma enorme fila de pessoas sem ingresso e vários grupos com seus guias turísticos. Encontramos a fila de quem já tinha o ingresso reservado e ficamos aguardando. Pontualmente às 8 horas o portão foi aberto e entramos no museu.

Fomos ao guichê, trocamos os nosso tickets eletrônicos pelos ingressos e iniciamos a nossa visita. O percurso tradicional e indicado pela sinalização é seguir para a direita, passar por todas as coleções do museu e finalizar o tour na Capela Sistina. Mas conhecer a capela com dezenas de pessoas em volta não era a nossa idéia! Seguindo uma dica que li no Viaje na Viagem, tomamos o caminho inverso e fomos para a esquerda. Em menos de 10 minutos chegamos na Capela Sistina e não havia mais que 15 pessoas lá dentro! Foi um experiência inesquecível contemplar os afrescos criados por alguns dos maiores artistas renascentistas, o maravilhoso teto pintado pelo gênio Michelângelo, tudo isso sem ser pertubado por ninguém e em absoluto silêncio! Todas as obras da Capela foram encomendadas para narrar um história e constroem um complexo argumento teológico que liga o poder de Deus até o Papa.

Capela Sistina

Foto retirada do site do Vaticano

Ficamos assim por uns 40 minutos, em êxtase, até que a Capela começou a ficar lotada. E aí começou a parte chata: as pessoas chegavam e esqueciam que, antes de tudo, aquele é um local de orações. Apesar das recomendações expressas na entrada, começaram a falar alto, tirar fotos e filmar, e os seguranças respondiam com insistentes e constantes “ssssshhhhh” e “noooo photo”. Era a deixa para seguir o nosso tour.

Além da Capela Sistina, fazem parte dos Museus do Vaticano alguns aposentos papais e diversas coleções que incluem antiguidades greco-romanas, etruscas, egípcias e até arte religiosa moderna.

Museus Vaticanos

O problema de visitar os Museus do Vaticano na alta temporada foi dividir o espaço com uma horda de turistas, um verdadeiro mar de gente! Em alguns locais era quase impossível parar um instante para apreciar uma obra de arte com mais atenção. A multidão se encarregava de nos empurrar em direção ao final do corredor. Foi um dos momentos “vida de gado” das férias!

Momento "vida de gado" nos Museus Vaticanos

Resolvemos fazer uma pausa para comermos umas fatias de pizza na praça de alimentação localizada no primeiro andar do edifício. A parada foi providencial para recarregar as baterias e continuar o nosso tour por algumas alas mais tranquilas do museu.

Museus do Vaticano

E foi andando por um dos corredores destas alas que encontramos Laocoonte, uma das esculturas mais famosas da antiguidade. Representa a um profeta de Tróia e seus filhos sendo estrangulados por serpentes enquanto tentavam alertar sobre o perigo que havia no cavalo presenteado pelos gregos.

Laocoonte

Chegamos na Pinacoteca Vaticana, que possui obras de Da Vinci, Caravaggio, Giotto, Botticelli, entre outros artistas. Mas a obra que mais me interessava era A Transfiguração, de Rafael Sanzio. Esta pintura, que representa Cristo aparecendo para os apóstolos, é considerada uma das mais importantes do pintor italiano. Rafael estava trabalhando nesta obra quando morreu, aos 37 anos, deixando a conclusão da pintura para seus aprendizes.

A Transfiguração, de Rafael Sanzio

E não podia faltar a foto clichê, porém necessária, da escadaria em espiral na saída dos Museus do Vaticano.

Escadaria em espiral na saída dos Museus do Vaticano

Ainda sob um sol de lascar, fomos em direção à Basílica de São Pedro, a maior igreja cristã do mundo. A Basílica tem uma área de 23.000 m² e comporta até 60.000 pessoas. A entrada na Basílica foi gratuita, mas enfrentamos uma enorme fila na Praça de São Pedro.

Fila na entrada da Basílica de São Pedro

O controle na entrada é rígido: homens e mulheres com roupas muito curtas – bermuda ou saia acima do joelho ou com os ombros expostos –  não entram. Durante o tempo que ficamos na fila vimos várias pessoas que tiveram a entrada negada.

Barrados na Basílica

Todo o esforço da espera na fila foi recompensado assim que entramos na Basílica de São Pedro. A sensação é indescritível diante da beleza do lugar. A cúpula, projetada por Michelângelo, tem 42 metros de diâmetro e seu ponto mais alto está a 132 metros do chão.

Interior da Basílica de São Pedro

Logo após a entrada, à direita do visitante, está a Pietà. Esta obra-prima foi esculpida por Michelângelo quando ele tinha apenas 25 anos. Vê-la de perto foi um dos grandes momentos do dia para nós. Infelizmente a escultura está cercada por uma proteção de vidro deste 1972, quando um homem gritando “Eu sou Jesus!” a atacou com um martelo e danificou o nariz e alguns dedos da mão da Virgem.

Pietà, de Michelângelo

Eu queria muito ir até o domo, de onde é possível ter uma belíssima vista de toda a Cidade do Vaticano e parte de Roma. Uma parte do trajeto é feito de elevador, mas depois são 330 degraus por um corredor muito estreito. Devido ao cansaço, calor e a super lotação na entrada deste acesso, deixei para realizar este desejo em uma próxima viagem a Roma. Ficamos por mais algum tempo admirando as belas obras da Basílica e, exaustos, nos despedimos da Cidade do Vaticano.

Basílica de São Pedro

Roma: uma viagem ao passado no Coliseu e Fórum Romano

Toda grande cidade do mundo tem o seu símbolo máximo, aquele que ao vê-lo, você imediatamente pensa no local onde ele está situado. Só para citar alguns casos, Paris tem a Torre Eiffel, Nova York tem a Estátua da Liberdade, Londres tem o Big Ben. E Roma tem o Coliseu, originalmente conhecido como Anfiteatro Flaviano.

Fizemos questão de chegar cedo ao Coliseu, pois além do calor infernal que assola a cidade no período da tarde durante o verão, a idéia era conhecer o mais notável monumento de Roma sem enfrentar uma horda de turistas. Saímos do hotel, passando pelas estreitas ruas da cidade, literalmente tropeçando em sítios arqueológicos, e chegamos a Via dei Fori Imperali. E foi aí que o meu coração começou a bater forte novamente, a exemplo do que ocorrera na Fontana de Trevi: lá estava, no final da avenida, uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno.

Por mais que pesquise, leia, veja fotos e vídeos do Coliseu, você só se dá conta da sua grandiosidade quando está em frente a ele. Ficamos por alguns minutos admirando a fachada, mas fomos para a fila que já se formava na entrada, embora ainda faltasse uns 30 minutos para a abertura à visitação.

Passamos direto pela bilheteria e fomos para a entrada destinada aos portadores do Roma Pass. Logo após a entrada, a visita começa por uma espécie de museu, com armaduras, elmos, espadas e diversos artefatos utilizados na época do Império Romano. Apesar do grande interesse pelos antigos objetos, não ficamos por alí durante muito tempo. A ansiedade em conhecer o interior do Coliseu era ainda maior!

Sem palavras. Foi assim que fiquei ao subir as escadas e, finalmente, contemplar o interior do anfiteatro. Fiquei imaginando como seria aquele lugar com uma multidão pessoas vibrando com os espetáculos patrocinados pelo Imperador.

Mesmo assim, praticamente vazio, é impossível não se impressionar com o que se vê. Erguido a partir do ano 72 d.C. por ordem do Imperador Vespasiano, o Coliseu foi inaugurado em 80 d.C pelo Imperador Tito, que declarou 100 dias de jogos comemorativos. Palco de sangrentas batalhas de gladiadores, estima-se que o anfiteatro podia abrigar cerca de 50.000 pessoas.

Além das lutas entre os gladiadores, haviam outros tipos de espetáculos, como a caça de animais selvagens importados de África e até mesmo batalhas navais! Estas batalhas eram possíveis devido aos dutos subterrâneos alimentados pelos aquedutos que traziam grandes quantidades de água e inundavam a arena do Coliseu. Imagine a engenharia necessária para trazer tal volume de água para inundar aquele local!

Satisfeitos com o que vimos, saímos do Coliseu e passamos em frente ao Arco de Constantino, erguido pelo primeiro imperador cristão em 315 d.C. Nosso próximo destino era o Fórum Romano.

Atualmente o acesso ao Fórum é feito pelo Monte Palatino, uma das sete colinas de Roma. Diz a lenda que foi neste monte que os gêmeos Rômulo e Reno fundaram a cidade. Mais tarde, devido a proximidade com o Fórum, o Palatino se tornou o lugar mais glamouroso da Roma antiga, onde as personalidades mais influentes construíam seus palácios.

Após uma rápida caminhada pelas ruínas, passamos por um belo jardim e paramos para encher as garrafas com a água de uma fonte. E lá de cima tivemos a primeira visão do Fórum Romano.

É difícil imaginar que este local repleto de ruínas foi o coração de Roma durante mil anos. Ali haviam templos, lojas, mercados e praças. Era o centro comercial, político, judicial e burocrático da cidade.

Ao longo dos séculos a maior parte dos monumentos não sobreviveu a invasões, destruições e ao descaso. Na Idade Média, chegaram a ficar enterrados debaixo de entulhos. Até Mussolini promoveu a destruíção de uma parte dos monumentos.

Caminhando pelas ruínas fiquei com uma certa inveja dos jovens romanos. Afinal, eles podem assistir aulas de História sobre o Império Romano e, pouco depois, conferir in loco alguns dos locais citados. Ah, como algumas das minhas aulas seriam muito mais interessantes!

Roma: o dia em que eu realmente cheguei na Europa

O meu interesse pela Cidade Eterna surgiu quando eu ainda era criança. O meu desejo de conhecer Roma aumentava a cada vez que lia um texto sobre o Império Romano nos livros de História, assistia algum filme com cenas de gladiadores no Coliseu ou via imagens do Vaticano. Sempre imaginava como seria caminhar naquela milenar cidade que é, ao mesmo tempo, um vasto museu a céu aberto com seus monumentos antigos e tesouros artísticos, e uma cidade moderna, a capital da Itália. E o dia de realizar este desejo chegou!

Desembarcamos no Aeroporto Fiumicino e nos encaminhamos para a estação do trem que leva à Estação Termini, no centro de Roma. Antes, porém, paramos em um dos pontos de venda do Roma Pass para comprar os nossos passes de descontos. Afinal, a nossa experiência com o Lisboa Card, versão lisboeta do Roma Pass, foi muito boa. Passes comprados, embarcamos no trem Leonardo Express e após 40 minutos chegamos na Termini.

Fomos direto para o Hiberia Hotel, um três estrelas bem avaliado no Trip Advisor e situado na Via XXIV Maggio, próximo ao Palazzo del Quirinale, a residência oficial do presidente da Itália.

O atendimento do staff do hotel foi muito atencioso e cordial. O quarto e o banheiro eram pequenos, mas limpos e bem conservados. O quarto não tinha carpete (ufa!), mas tinha ar condicionado, tv, minibar, cofre e janelas com isolamento acústico. Mas nem tudo eram flores: pagamos 10 Euros para ter acesso à internet wifi durante os 5 dias da nossa estadia. Não é um preço absurdo, mas cobrar por acesso à internet é como cobrar pelo uso da energia elétrica!

Malas desarrumadas e banhos tomados, finalmente saímos para conhecer Roma! Ao chegar na portaria do hotel, tomamos literalmente um banho de água fria: estava chovendo. Mas como toda viagem deve ter um plano B, C e até mesmo D, lembrei de ter lido em algum guia que em vez de se aborrecer com um dia chuvoso em Roma, bastava ir ao Panteão para ver a água cair pelo óculo do domo, respingar no piso de mármore e escorrer por um dreno. Corri até o quarto e peguei o guarda-chuva.

No caminho para o Panteão, passamos em frente ao Palazzo del Quirinale e entramos por algumas ruas estreitas e típicas de Roma. Viramos à esquerda, seguimos reto, esquerda novamente, direita  e, sem querer, chegamos na Fontana de Trevi! Foi neste exato momento que eu realmente senti que estava na Europa! Não no sentido geográfico, pois já estivera em Lisboa, mas como a realização de um desejo de criança. Por razões óbvias, Lisboa sempre esteve mais presente nos meus livros de História, mas era Roma a cidade que habitava o meu imaginário. Ficamos alguns minutos admirando a fonte e, como a chuva não dava trégua, seguimos para o Panteão.

Durante o trajeto a chuva foi diminuindo e quando chegamos ao Panteão, o guarda-chuva já estava na mochila. À princípio ficamos um pouco decepcionados, pois parte da fachada estava em obras. Mas bastou entrar no Panteão para sentir o entusiasmo retornando. A construção original foi concluída em 27 a.C., durante a República Romana. Destruído por um incêndio em 80 d.C., foi reconstruído em 125 d.C. por ordem do Imperador Adriano. Seu belíssimo domo de alvenaria é o mais amplo da Europa, tem 43 metros de altura e largura e em seu centro está o óculo, um orifício de 8 metros de diâmetro, cujo objetivo é fornecer luz natural e apoio estrutural, pois a tensão ao seu redor ajuda a sustentar o peso do domo.

A menor das atrações do Panteão, a água da chuva caindo pelo óculo, havia terminado. Mas todas as outras estavam lá: a imponência da construção e os mármores antigos que adornam o seu interior, as estátuas de deuses, o túmulo do artista renascentista Rafael e altares ricamente decorados.

Atualmente o Panteão é o único edifício construído na época greco-romana que se encontra praticamente em perfeito estado de conservação. Isso porque em 608 d.C. o Imperador Focas ofereceu o edifício ao Papa Bonifácio IV, salvando-o da destruição, vandalismo e saques que várias construções da Roma Antiga sofreram durante vários séculos. Mesmo assim, o Papa Constâncio II roubou suas telhas douradas para utilizar em outra construção e o Papa Urbano VIII derreteu os painéis do teto de bronze do pórtico para fazer um canhão no Castelo de Sant´Angelo.

Ficamos no Panteão até o horário do encerramento das visitas. Ainda cansados da viagem, decidimos comer uma autêntica pizza italiana e retornar ao hotel. Mas eu ainda precisava fazer mais uma coisa: voltar à Fontana de Trevi e registrar algumas fotos. Chegando lá eu descobri que, não importa a hora, se é dia ou noite, se está sob chuva ou sol escaldante, a pequena praça onde está localizada a fonte sempre está lotada de pessoas tirando fotografias ou jogando moedas para realizar seus desejos.

Reza a lenda que a fonte foi descoberta miraculosamente por uma virgem em 19 a.C. e situava-se no encontro de três estradas (tre vie), daí o seu nome. Ali foi construído um aqueduto a mando do General Agripa e que serviu a cidade por mais de 400 anos. Durante uma das várias invasões que a cidade sofreu, todas os aquedutos foram destruídos, incluindo a Trevi. Em 1453, o Papa Nicolau V, determinou que o aqueduto fosse reconstruído. O Papa Urbano VIII encomendou a Bernini, em 1629, um projeto para adornar a fonte. No entanto, o Papa faleceu e o projeto foi abandonado. A fonte, como conhecemos atualmente, foi concluída em 1762 em um projeto iniciado por Nicola Salvi e finalizado por  Giuseppe Pannini.

A melhor maneira de curtir a Fontana de Trevi é comprar um sorvete em uma das várias gelaterias próximas à praça (os sorvetes italianos são deliciosos!), sentar em frente a fonte e admirar cada pequeno detalhe desta bela obra de arte. Foi o que fizemos durante meia-hora, hipnotizados, vendo a água caindo graciosamente. E eu nem precisei jogar uma moeda na fonte, afinal, o meu desejo já estava realizado.

Dicas de viagem para Lisboa

Requisitos de entrada em Portugal: aos turistas brasileiros não é exigido visto, mas é necessário apresentar um passaporte válido por mais seis meses. Além do passaporte, o oficial de imigração ainda pode solicitar:

  • comprovante de reserva hospedagem em hotel ou carta-convite do morador que o receberá;
  • passagem de volta;
  • ter ao menos 60 Euros por dia de permanência, por pessoa;
  • ter seguro médico internacional com cobertura mínima de 30 mil euros.

O tempo máximo para permanência com visto de turistas é de 90 dias e não são exigidos certificados de vacinação.

Hospedagem: na minha opinião, a melhor região para se hospedar em Lisboa é no Chiado, devido a proximidade com a Baixa, com seus monumentos, lojas e restaurantes, e o Bairro Alto, com o seu agito na vida noturna. A região do Chiado também possui vários restaurantes, cafés, lojas, galeria de arte e livrarias.

Ficamos hospedados no Hotel Borges, muito bem localizado na agradável Rua Garrett. Ao lado do hotel está um dos mais célebres cafés de Lisboa, o A Brasileira, e uma estação de metrô. Mas o hotel está instalado em um prédio antigo, cuja conservação deixa a desejar. Os quartos são grandes, com mobiliário adequado, mas com piso de carpete. Após 3 dias de hospedagem, a minha rinite alérgica acusou a necessidade de uma reforma urgente no local. O atendimento é correto, mas o hotel cobra (pasmem!) pelo uso do cofre no quarto. O acesso à internet também é tarifado e muito caro. Em uma próxima viagem a Lisboa, pretendo me hospedar na mesma região, mas em um hotel diferente.

Roteiros: Lisboa tem um site oficial de turismo com informações suficientes para iniciar um planejamento. Mas para obter informações de qualidade, sugiro uma consulta aos textos e comentários do melhor blog de viagens do Brasil: Viaje na Viagem. Um outro blog com dicas imperdíveis é o Turomaquia, com ótimos textos e curiosidades sobre Lisboa. E não deixe de ler as dicas da Europa a 50 euros por dia no Matraqueando.

Transporte: o táxi do aeroporto até a região central de Lisboa (Chiado, Baixa) ficou em apenas 12 Euros. Vale o investimento após uma viagem cansativa. A cidade é bem servida de transporte público, seja por metro, ônibus,  bonde elétrico e elevadores (sim, elevadores pra te levar da parte baixa para a alta e vice-versa!). Se você comprar um Lisboa Card, terá acesso ilimitado ao transporte público durante o período de validade do cartão. Mas você pode também comprar um cartão Lisboa Viva e carregá-lo com créditos para utilizar o transporte público de acordo com a sua necessidade.

Lisboa Card: cartão que dá acesso gratuito ao transporte público e descontos em museus e monumentos. Existem três versões do cartão, de acordo com a duração: 24 horas (16 Euros), 48 horas (27 Euros) e 72 horas (35 Euros). Utilizamos o cartão de 72 horas, pois ficamos 5 dias na cidade. Fiz uma simulação das nossas despesas considerando a utilização do transporte púlico e entrada nos monumentos, atrações e museus sem o uso do cartão e com o uso do cartão.

Considerando apenas que cada um pagou 35 Euros pelo cartão e gastou 34,30 Euros, o prejuízo foi de 0,70 Euros. Mas sem o uso do cartão, as nossas despesas seriam o dobro! Pensando ainda no ditado que diz que “tempo é dinheiro”, a conclusão é  que o Lisboa Card é um grande negócio, pois não perdemos tempo em filas para comprar ingressos ou bilhetes de transporte público.

Arredores: se você quiser fazer uma viagem rápida a um dos destinos próximos a Lisboa, recomendo uma visita a Sintra. Tenho certeza que você vai gostar!

O que eu fizemos por lá? Clique aqui e leia todos os relatos da nossa viagem a Lisboa!


O que é e quem escreve este blog

"O que se faz" é o blog do Alexandre, um espaço para o registro do cotidiano, idéias, imagens e viagens!

Arquivos

Quantos?

  • 258.693 acessos

Flickr Photos - Alexandre

Anúncios